Quem diria que as obras do Porto Maravilha também resgatariam a história do Rio Antigo. Além disso, dois grandes museus estão sendo inaugurados na área: o MAR, Museu de Arte do Rio, e o Museu do Amanhã.
Quando o último trecho da Perimetral for removido, a Praça XV poderá ser apreciada em toda a sua imponência. Mas não só ela. A Via Expressa, que ficará no lugar do elevado, vai permitir aos cariocas e turistas uma visão plena de outros monumentos históricos que ficaram escondidos a partir de 1958, ano de construção da Perimetral.
MUSEU DE ARTE DO RIO, UM DOS ÂNCORAS DA CULTURA NA REGIÃO DO PORTO
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| ilustração do museu em três dimensões (reprodução: Rio Cidade Olímpica) |
O MAR é um espaço dedicado à arte e à cultura visual. Inaugurado no dia 1º de março de 2013, aniversário de 448 anos do Rio, tem oito grandes salas de exposição, duas para cada mostra. Ao lado do museu está a Escola do Olhar, destinada à educação e que desenvolve programas de formação continuada em artes e cultura visual com professores e educadores. Os dois prédios que compõe o complexo passaram por muitas obras. O Palacete Dom João VI, inaugurado em 1916 e tombado pelo município em 2010, foi submetido a um longo processo de restauro para se transformar no pavilhão de exposições do museu. Um dos maiores desafios da equipe da obra foi unir dois edifícios tão diferentes. A harmonia entre os imóveis foi possibilitada pela cobertura fluida que lembra ondas do mar, uma das características mais marcantes na arquitetura do complexo.
Um detalhe interessante é que a visitação é feita de cima para baixo. Os visitantes sobem até o último andar da Escola do Olhar, onde há um terraço com vista para a Região Portuária. De lá, têm acesso aos pavilhões com as mostras do museu. O último andar é dedicado ao Rio de Janeiro e tem sempre exposições dedicadas ao tema. Os outros três pavilhões trazem exposições com temáticas variadas que duram aproximadamente três meses cada.
MUSEU DO AMANHÃ, UM MUSEU PARA REFLEXÃO DO FUTURO
O prédio do museu será erguido no Píer Mauá, em meio a uma grande área verde. Serão cerca de 30 mil m², com jardins, espelhos d'água, ciclovia e área de lazer. O prédio terá 15 mil m² e arquitetura sustentável. O projeto arquitetônico, concebido por Calatrava, prevê a utilização de recursos naturais do local - como, por exemplo, a água da Baía de Guanabara, que será utilizada na climatização do interior do Museu e reutilizada no espelho d'água. No telhado da construção, grandes estruturas de aço, que se movimentam como asas, servirão de base para placas de captação de energia solar.
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| interior do MAR (ilustração: Porto Maravilha) |
PRAÇA XV
A derrubada da Perimetral revitalizará a área da Praça XV, no Centro, que foi um importante palco do Brasil Colonial, na época imperial. É o marco zero da história da capital, pois ali que foi fundado o porto da cidade. A história é viva ali pois a Praça XV é conhecida como os primórdios da ocupação da cidade do Rio, afinal naquele lugar ficava a Praia da Piaçaba.
JARDINS SUSPENSOS DO VALONGO
O projeto restaurou também os Jardins Suspensos do Valongo, aos pés do Morro da Conceição. Inaugurado em 1906 pelo prefeito Pereira Passos, ficou entregue às moscas por muitos anos, com mato crescido e lixo e, em 2012, sofreu uma grande reforma. Hoje traz semelhanças ao original, como as estátuas em mármore de Carrara.
CAIS DO VALONGO
Os vestígios do passado brasileiro foram encontrados ao longo da Avenida Barão de Tefé, onde ficava o cais. Foi por ali que cerca de um milhão de escravos, entre homens, mulheres e crianças capturados na África para trabalhar chegaram ao Brasil de 1818 a 1830.
Ali existiam mercados, depósitos, uma área para quarentena, cemitério e diversos outros estabelecimentos ligados ao comércio de escravos. A partir de 1843, começou a ser construído o Cais da Imperatriz sobre o Cais do Valongo. É que a imperatriz Teresa Cristina estava vindo da Itália para se casar com Dom Pedro II, o então imperador do país. Além disso, Pereira Passos mandou aterrar a região, dificultando ainda mais os vestígios do cais. Com a reforma da área portuária, este é um símbolo resgatado da história do Brasil com a escravidão.
MORRO DA CONCEIÇÃO
O Morro da Conceição foi colocado em evidência com a revitalização do porto. Mas não foi só isso. Ali, as segundas e sextas, tem aquele samba de raiar a madrugada. E não é só isso que badala a região. Museus, prédios, restaurantes e vistas privilegiadas da cidade também são os principais pontos do morro. Na Pedra do Sal (tem esse nome por que os escravos transportavam o sal trazido de Portugal por ali) é que rola as rodas de samba. O ícone da música Pixinguinha frequentava o local, que desde o século XIX recebe as rodas.
Ali também fica o Cemitério dos Pretos Novos que foi descoberto meio a escavações para a reforma de uma casa. Esse sítio arqueológico foi encontrado em 1996, quando milhares de ossos humanos foram encontrados. É que ali foram enterrados os negros que não conseguiam chegar vivos ao Brasil, também os que morriam por doenças antes mesmos de serem vendidos.
Em fevereiro de 2013, a Zona Portuária ganhou um imenso painel pintado pelo artista plástico Tomaz Viana, mais conhecido como Toz. A pintura ocupa a lateral de um prédio na Rua Coelho e Castro, próximo à Pedra do Sal, com 30 metros de altura e 70 de largura, e compõe o maior grafite do Rio. O artista contou com uma equipe de oito grafiteiros para auxiliar no desenvolvimento do painel, que é dividido em triângulos, com imagens de crianças, animais e balões.
Lá também fica a Fortaleza da Conceição. Ela foi construída para ser um dos pontos estratégicos de defesa da cidade após a invasão da região por corsários franceses ocorrida em 1711. Erguida entre 1713 e 1718, ela é tombada pelo IPHAN e hoje abriga a 5ª Divisão de Levantamento do Exército. As visitas devem ser agendadas e incluem o pátio, a capela e as masmorras, onde ficavam presos políticos, como os líderes da Inconfidência Mineira.
| Paço Imperial, usado como residência dos governadores da Capitania do Rio de Janeiro (imagem: Carlos Luiz da Costa/Wikipédia) |
JARDINS SUSPENSOS DO VALONGO
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| Jardins fica a sete metros do nível da rua(foto: Rio Cidade Olímpica) |
O projeto restaurou também os Jardins Suspensos do Valongo, aos pés do Morro da Conceição. Inaugurado em 1906 pelo prefeito Pereira Passos, ficou entregue às moscas por muitos anos, com mato crescido e lixo e, em 2012, sofreu uma grande reforma. Hoje traz semelhanças ao original, como as estátuas em mármore de Carrara.
CAIS DO VALONGO
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| Cais era chegada de milhares de africanos ao Brasil (foto: Porto Maravilha) |
Ali existiam mercados, depósitos, uma área para quarentena, cemitério e diversos outros estabelecimentos ligados ao comércio de escravos. A partir de 1843, começou a ser construído o Cais da Imperatriz sobre o Cais do Valongo. É que a imperatriz Teresa Cristina estava vindo da Itália para se casar com Dom Pedro II, o então imperador do país. Além disso, Pereira Passos mandou aterrar a região, dificultando ainda mais os vestígios do cais. Com a reforma da área portuária, este é um símbolo resgatado da história do Brasil com a escravidão.
MORRO DA CONCEIÇÃO
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| Roda de samba na Pedra do Sal (imagem: Rio Cidade Olímpica) |
Ali também fica o Cemitério dos Pretos Novos que foi descoberto meio a escavações para a reforma de uma casa. Esse sítio arqueológico foi encontrado em 1996, quando milhares de ossos humanos foram encontrados. É que ali foram enterrados os negros que não conseguiam chegar vivos ao Brasil, também os que morriam por doenças antes mesmos de serem vendidos.
Em fevereiro de 2013, a Zona Portuária ganhou um imenso painel pintado pelo artista plástico Tomaz Viana, mais conhecido como Toz. A pintura ocupa a lateral de um prédio na Rua Coelho e Castro, próximo à Pedra do Sal, com 30 metros de altura e 70 de largura, e compõe o maior grafite do Rio. O artista contou com uma equipe de oito grafiteiros para auxiliar no desenvolvimento do painel, que é dividido em triângulos, com imagens de crianças, animais e balões.
Lá também fica a Fortaleza da Conceição. Ela foi construída para ser um dos pontos estratégicos de defesa da cidade após a invasão da região por corsários franceses ocorrida em 1711. Erguida entre 1713 e 1718, ela é tombada pelo IPHAN e hoje abriga a 5ª Divisão de Levantamento do Exército. As visitas devem ser agendadas e incluem o pátio, a capela e as masmorras, onde ficavam presos políticos, como os líderes da Inconfidência Mineira.
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| Em sentido horário: no topo, a Pedra do Sal. À direita, as construções com arquitetura portuguesa. Abaixo, o maior grafite do Rio, de Toz. À esquerda, a Fortaleza da Conceição (imagens: RioTur) |







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