Quem mora no Rio há algum tempo já conhece ou pelo menos ouviu falar de certos bares e boates famosas pelas ditas melhores festas da cidade. Por aqui, para quem vem de uma cidade relativamente pequena como a que eu vim (Angra dos Reis), entende-se por completa liberdade o fato de se conseguir escolher o programa da noite. Às vezes é tanta opção que eu nem sei por onde começar, e o mais incrível é que tem farra pra todos os gostos, todas as tribos e bolsos, e é com este post que eu pretendo traçar alguns dos roteiros que o pessoal maior de dezoito anos (ou prestes a fazer) costuma se animar.
Logo que cheguei, o primeiro lugar que me foi apresentado é aquele de sempre, o qual boa parte das pessoas que não moram aqui mas que no fundo já criaram um carinho especial pela cultura da cidade e toda a história que os artistas que por lá passaram representa, teve vontade de conhecer: a Lapa. Chegar na Lapa numa sexta-feira quando o trânsito ainda era fechado na Mem de Sá, pra mim, foi como estar aonde eu sempre devia ter estado. Bares abarrotados de gente que só de olhar, já é possível criar alguma expectativa boa pra um futuro que provavelmente nunca vai acontecer entre vocês, mas mesmo assim você insiste porque é a Lapa, e o que acontece na Lapa fica na Lapa. A escadaria do artista Selarón, famosa pela pintura em ladrilhos e o intenso trânsito de pessoas interessantes ou não depois de um certo horário, que fazem pose em frente aos cartazes de "mais amor por favor" para logo em seguida postarem no instagram com alguma legenda que não tenha tanto sentido com a foto, a neblina da marola que começa bem lá no alto e termina do seu lado (provavelmente), um morador de rua que improvisa um tambor com uma lata de alguma coisa e puxa um samba enredo de uma escola, a deliciosa caipirinha de R$8,00 , os rappers que dão vida à rima e interpretam puxando mais rappers pra roda, uma menina que chora do seu outro lado por estar perdida dos amigos, uma outra que saiu do trabalho e foi direto pra lá porque lá é "o point", turistas brasileiros, turistas gringos, mais samba, mais rap, enfim. Tudo acontece naquela escadaria.
De volta às casas noturnas, o Teatro Odisseia é um dos lugares mais badalados da cena indie do local. As festas geralmente são voltadas para a maioria dos públicos, desde funk, pop e eletrônica até um indie rock meio hipster chegando algumas semanas a ter shows de bandas de metal. Se você for sem grana como eu que geralmente não tem dinheiro sobrando pra festas, gasta-se em média R$60,00, com a entrada e algumas caipirinhas ou cerveja (que aliás são quase o mesmo preço dos drinks que eu curto, então se quiser entrar na vibe do álcool acho mais vantagem investir nas caipiroscas da vida.). Os DJ's costumam ser ótimos e o espaço também é bem legal apesar de um pouco pequeno, mas nunca tive nenhuma experiência claustrofóbica por lá como já tive no Espaço Acústica, por exemplo. Já este fica na esquina da Praça Tiradentes, praticamente do lado do Teatro João Caetano, e abrange praticamente a mesma galerinha que curte o Odisseia e suas músicas. O único problema que tive com o Acústica é que peguei uma das festas mais bem faladas nesse dia, a "Wonka Party", e encheu demais na primeira pista. No segundo andar era um climão escuro próprio pras sacanagens (e eu não tava nessa vibe) e no terceiro, uma espécie de terraço com uma tenda eletrônica, e tava chovendo. Ou seja... babou o local. O bar não tinha uma fila pra fichas e um lugar separado pra pegar a bebida, era todo mundo junto numa demorada batalha medieval pela atenção do barman, e ainda fez frio. Não curti muito, não tenho vontade de voltar, mas acredito que outras festas sejam boas.
Outro lugar que fui logo que cheguei no Rio foi a Casa da Matriz. Esse aí eu poderia morar em um dos quartinhos ou na sala com sofá onde passa algum filme que foi "hipsterizado" como "Laranja Mecânica", que era o que realmente estava passando quando estive por lá. Como o nome já diz, é uma casa com dois andares de pura criatividade na decoração e som da mais alta qualidade. Fica em Botafogo, toca bastante rock e é bem conhecida na cena cultural carioca pelo fato de aparentemente ter muita gente interessante e ser um ambiente bastante convidativo. Os preços são basicamente os mesmos do Teatro Odisseia porque ambos fazem parte da mesma rede de bares e boates, o Grupo Matriz, então é naquele mesmo esquema dos R$60, mas depende muito de qual festa você pretende ir. O certo mesmo é gastar pelo menos cenzinho, mas como meu dinheiro é contado (porque nem tudo são flores), vai sessentão mesmo. Só fui uma vez pra comemorar meu aniversário de dezoito anos e foi no início de 2013 na festa "RockAway", iradíssima, mas infelizmente não lembro de nada do que paguei na época, porém tenho amigos que frequentam praticamente toda semana e são apaixonados. É lá que rola o Karaokê indie das quartas-feiras, o qual é possível dar uma de rockstar por alguns minutos e entoar cânticos de sua música preferida lá no microfone. Dizem que é muito bom, pretendo ir em breve.
A última casa noturna que conheci e vem me ganhando em todos os sentidos é o Gafieira Elite. Fica na esquina da rua Frei Caneca e é uma graça pra quem curte rock e MPB. Assim como nos outros lugares, depende muito da festa, mas lá é o lugar que escolho pra afogar minhas mágoas ou ser feliz na cadência do samba. Digo isso porque escolho pacientemente as festas que vou, mas no Gafieira também tem de tudo. É um salão enorme no segundo andar de um casarão antigo, daqueles de janelas grandes enormes de madeira, que dá pros fundos do Campo de Santana. Nas paredes é possível encontrar figuras como Chico Buarque, Caetano Veloso, Criolo, Tom Jobim, Vinícius, Raulzito, Cícero, e muitas marcas de batom em quase todas as bocas dos nossos ídolos. Tem dois andares, com um espaço super intimista e o melhor: baratíssimo! As melhores festas de preços acessíveis, entrada por volta dos R$20 para os homens e em algumas festas até R$12 para as mulheres. Em outras como a Festa Locomotiva - musicalidade e arte, ambos os sexos pagavam R$13,00 se entregassem um livro na entrada. Nesse dia fomos de Bnegão a Los Hermanos, Clara Nunes, Red Hot Chilli Peppers, Jorge Ben, Marisa Monte e outros divos e divas da música. Além de música boa, dose dupla de caipirinha por R$10,00 até uma hora, shots de tequila e cachaça ao longo da festa e algumas outras surpresinhas que todas elas preparam, ainda dá pra dançar de olho fechado sem se preocupar se a maquiagem tá borrada, se tá suando demais ou se te olham estranho. Lá não tem isso, a gente vai pra ser feliz mesmo, pra arriscar, conhecer gente louca como a do seu grupo, subir no palco e inventar um passo de charme, olhar pro lado e fazer um amigo, andar três passos a frente e encontrar uma paixão de gafieira. Até às seis é possível ter uma noite brilhante nesse lugar, se você estiver mesmo disposto, e eu garanto que no final alguma história pra contar já vai ser certa.
E é isso, espero que tenha ajudado na sua escolha pro próximo fim de semana, apesar de ser um giro bem raso pelos lugares que estou mais propensa a ir. Pretendo ir postando sobre mais lugares diferentes e aprofundar um pouquinho em cada festa que é "de lei", como alguns costumam dizer.
Ah, lembrando que a boates citadas são para maiores de 18 anos, e sempre pedem identidade.
Inté!
Luani Mendes

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